Por: Kátia Armini/Contrastes

Acompanho com parcimônia algumas conversas sobre política nos grupos de whatsApp de Teixeira.
Evito bastante porque são conversas desgastantes. Claro, a política é, sem dúvida, um campo repleto de paixões e convicções nem sempre profundas. É um terreno em que as ideologias se chocam e os interesses pessoais falam mais alto que a ética. Falo de um universo onde as promessas são feitas e quebras de confiança podem ocorrer com frequência.
Trata-se de um cenário propício ao partidarismo cego, àquele que ignora as nuances da realidade política, ou seja, trata-se de um cenário propício ao puxa-saquismo.
No entanto, é fundamental questionar: é certo puxar para um lado ou para o outro sem levar em consideração os fatos? A resposta a essa pergunta vai depender do quanto, quem recebe para ser bate-estaca, necessita deste dinheiro para sobreviver. Estou falando de uma escravidão autoimposta. É o instinto de sobrevivência falando mais alto.
A experiência política contemporânea frequentemente nos leva a um ponto em que a “lealdade” partidária parece sobrepor-se à análise crítica. Muitos se sentem pressionados a escolher um lado e a defender suas figuras políticas com fervor, mesmo quando os fatos indicam o contrário.
Uma das maiores armadilhas do partidarismo cego é a expectativa de que devemos endeusar alguém a ponto de nossa consciência ficar cauterizada. A realidade é que ninguém é 100% anjo ou demônio na política. Todos os políticos têm pontos fortes e limitações, assim como qualquer ser humano. Ao ignorar essas nuances e aceitar cegamente tudo o que um político ou partido diz, perdemos a oportunidade de responsabilizá-los por suas falhas e de reconhecer seus acertos.
Mas o ponto não é esse. Quando se mora em uma cidade pequena estes pequenos – orixás – como diria um amigo meu (Abraão)- costumam ser irados, e qualquer sombra de questionamento pode gerar perseguição.
Em resumo, essa tendência de endeusamento é ainda mais pronunciada no cenário político caseiro, onde a autoridade te conhece e espera de você, reverência. Neste contexto, qualquer palavra ou frase que traga luz a alguma deficiência, mesmo que não seja direcionada, pode ser mal interpretada e gerar consequências.
No entanto, é fundamental lembrar que a crítica construtiva é essencial para a saúde de uma democracia. Em uma democracia saudável, os cidadãos têm o dever de questionar, analisar e exigir responsabilidade dos representantes eleitos, independentemente de sua filiação partidária.
A solução para escapar do partidarismo cego é cultivar uma visão crítica da política. Isso envolve buscar informações imparciais, ouvir diferentes perspectivas e estar disposto a admitir quando seu próprio partido ou político favorito está errado.
Só que não!
Abraçar a visão crítica pode ser muito perigoso.
Como ilustração, informo a você leitor, que as matérias que me trouxeram mais problemas foram àquelas escritas de forma profissional e técnica sem adjetivos e fieis aos fatos relatados.
Questionar líderes, não é rentável.
Pobre de mim que sou uma rebelde!