Atualmente, esse tipo de queda é a terceira causa de mortalidade entre pessoas acima de 65 anos. Em todo país, foram 70.516 óbitos em uma década (2013 a 2022), 5.052 delas ocorreram na Bahia.
O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seccional Bahia, Lucas Kuhn, ressalta a alta ocorrência de quedas entre os idosos, apontando que cerca de 30% deles caem uma vez por ano, e o percentual aumenta para 50% quando são considerados apenas aqueles acima de 80 anos. “Aqueles que caem são pacientes de altíssimo risco, porque 60% a 70% voltam a ter quedas de novo”, alerta.
Entre os fatores que fazem esses acidentes serem tão recorrentes entre os idosos, o geriatra cita a perda de massa muscular e algumas doenças mais comuns nessa faixa etária, que acabam alterando o equilíbrio.
“O sedentarismo é muito alto no envelhecimento. Se já tem uma perda natural de massa muscular com o envelhecer, o sedentário perde mais, então ele tem menos força muscular e menos equilíbrio”, reforça.
O equilíbrio ainda é impactado negativamente, acrescenta Kuhn, pela presença de doenças osteoarticulares, como as artroses, as doenças neurológicas, a exemplo de Parkinson, da doença de Alzheimer e das neuropatias causadas pelo diabetes.
“Doenças da visão, catarata, glaucoma, degeneração macular, todas essas doenças que causam déficit visual, se não forem bem tratadas e acompanhadas, também irão interferir no equilíbrio, vão aumentar o número de quedas”, complementa o médico, citando ainda os distúrbios do labirinto.
Um outro elemento facilitador do desequilíbrio entre idosos é o uso paralelo de vários medicamentos, algo relativamente comum na terceira idade. Entre os mais relacionados aos riscos de queda estão os sedativos e medicamentos para dormir, aumentando a importância de não recorrer à automedicação.
A mãe da manicure Joana Barbosa, 39 anos, não morreu em decorrência de uma queda, mas caiu e fraturou o fêmur alguns anos antes de falecer, em 2022. Dona Maria usava sedativos e outros medicamentos para tratamento de transtornos psiquiátricos, além de também levar uma vida sedentária. Joana conta que ela foi operada e se recuperou bem, embora o comprimento da perna tenha mudado.
“O osso do idoso está mais frágil do que o osso do jovem, existe uma perda de massa óssea com o envelhecimento. Em alguns é acelerado, pelo tabagismo, pelo etilismo, e outros fatores, como medicamentos, mulheres pós menopausa perdem mais massa óssea”, explica Kuhn.
Entre janeiro e novembro do ano passado, a Sesab registrou 5.231 internações de idosos por quedas da própria altura decorrentes de escorregões, tropeções ou passos falsos. Os dados mostram uma redução das ocorrências a partir de 2016 e manutenção de cenário estável até 2020, quando volta a haver um aumento significativo. Em 2022, a Bahia teve 5.727 idosos internados por esse tipo de acidente.
Se manter ativo
Ainda que as quedas possam ocorrer também com quem mantém uma vida ativa, as consequências tendem a ser bastante diferentes. No caso do empresário José Rosenvaldo Evangelista, 80 anos, tudo se resumiu a um susto. Ele conta que sofreu uma queda, num momento de desatenção, há quase uma década, mas sem qualquer tipo de dano.
Praticante de exercícios físicos há mais de 15 anos, José incluiu essas atividades na sua rotina para cuidar da saúde e da autoestima. Ele realiza os exercícios em casa, com “ajuda de aparelhos mais simples, a exemplo de extensores, elíptico, esteira…”. O resultado é energia suficiente para passar o dia na sua empresa de contabilidade e ir cursar sua terceira graduação à noite.
Lucas Kuhn enfatiza a necessidade de se manter ativo, seja para prevenir o primeiro acidente ou a sua repetição.
“Muito idoso desenvolve, pós queda, o medo de cair. Então ele começa a sair menos de casa, a ficar mais parado, a diminuir as atividades e isso exatamente vai piorar a perda de massa muscular, diminuir o equilíbrio. O idoso que está caindo não tem que ficar parado, tem que treinar equilíbrio, marcha e força”, afirma.
Edição: Luiz Souza

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