
Por: Érico Cavalcanti
Outro dia fui a uma noite de autógrafos. Por que escrevo sobre uma noite de autógrafos? Um evento que as editoras sempre organizam,geralmente feito em livrarias e convidam a imprensa pra divulgar. Por quê escrevo sobre esta noite de autógrafos,o que teve ela de especial? Duas coisas me motivaram a escrever.A primeira delas o autor, sim o autor, a idade do autor, ele uma criança de dez anos. A segunda coisa a me motivar, foi o assunto que o autor abordou , o bullying na escola.
Achei interessante um autor de dez anos, abordar um assunto que normalmente só é discutido por educadores, psicólogos , pessoas ligadas a educação de crianças e adolescentes. Pessoas que têm a opinião de fora para dentro do problema. Sim, o bullying é um problema. Ele com essa idade frequenta o centro desse problema,sua visão é de dentro para fora do que chamamos de problema.
Essa coisa que hoje tem nome em inglês,o bullying é uma palavra que deriva do inglês bully, que apresenta duas definições; como substantivo o termo bully significa agressor e como verbo significa intimidar,o seu derivado bullying é definido como comportamento agressivo.
No meu tempo tinha outro nome,chamávamos de implicante,não existia esse comportamento de conotação agressiva a ponto de querer humilhar o agredido e sentir prazer em fazê-lo repetidas vezes.Convivíamos todos juntos em espaços pequenos, como as salas de aulas e pátios de recreio, o gordo, o magro, o alto, o baixinho , o de óculos , o ruivo, o louro, quase todos tinham apelidos e adoravam serem chamados pelos apelidos. Perdiam o nome e ganhavam uma marca, como se fossem produtos fabricados pela turma. O gordo podia ter o nome que fosse, era o Gordo, o magro era Magrão,ou Girafa,o ruivo era Cenoura, o de óculos era Caixa d’oculos,nunca entendi esse apelido, e assim íamos vivendo e dividíamos tudo. Da merenda que levávamos,que hoje é chamado de lanche ,ás brincadeiras no pátio da escola,tudo era compartilhado. As maiores implicâncias eram as borrachas, lápis e réguas que eram apanhadas e escondidas, deixando o dono irritado a procurar e ninguém dizia onde estava, mas isso era feito com todos, não tinha um que fosse escolhido e que só fizessem com ele.
Chamei o autor do livro pra conversar e falei pra ele: eu tenho uma opinião a respeito do bullying na escola, eu acho que a tecnologia contribui muito pra isso. Cada dia mais vocês se isolam atrás dos celulares. Passam horas absorvendo os conteúdos de jogos e filmes que a internet proporciona.Acabou o compartilhamento de brincadeiras e algazarras no recreio. Vocês não sabem mais brincar juntos, não se esbarram, não se agrupam, não criam mais brincadeiras, vocês perderam a criatividade pra brincar. O celular é a fonte única do exercício de brincar. Quando em algum momento vocês se juntam , não se toleram, como os personagens dos jogos e filmes vistos no celular. Passam a imitá-los. Colocam pra fora,sem saber, o que absorveram desses jogos e filmes.Escolhem geralmente o mais tímido e jogam em cima dele as frustrações, “como se estivessem jogando no celular”
Gostei que o autor do livro, “ Gilberto e seu amigo Jacaré” tenha dado um final conciliador na história. A turma acolheu o praticante de bullying e o perdoou .Quem sabe se não é essa a forma de tratar esse problema, juntar a turma e fazer com que ela não exclua o autor de bullying e busquem inseri-lo?
Em tempo: o autor desse livro chama-se Pedro Cohin Ledo, tem dez anos e é meu neto.

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