
O pronunciamento de Fernando Haddad sobre o corte de gastos foi mais do que um jogo político. Foi uma estratégia cruel e sofisticada, que se aproveita da falta de entendimento econômico da população para apresentar algo que parece positivo, mas que, na realidade, é um golpe contra os menos favorecidos.
É cruel porque, ao manipular as expectativas do povo, o governo reforça uma narrativa enganosa que faz com que muitos continuem apoiando políticas que, na prática, desconsideram suas necessidades. Isso perpetua um ciclo de abandono e engano que atinge exatamente quem mais precisa de proteção.
Haddad iniciou o discurso com um elenco de supostas vitórias do governo, criando uma atmosfera de otimismo. Essa introdução não foi acidental; foi uma estratégia cuidadosamente pensada para suavizar a recepção do anúncio dos cortes. A mensagem era clara: antes de entregar a má notícia, conquiste o coração do público.
Mas a crueldade não parou por aí. Ao omitir as áreas que seriam sacrificadas — saúde, educação, programas sociais e aumento do salário mínimo — o governo evitou uma reação imediata e canalizou a atenção para outro ponto: a taxação dos “super ricos”. Isso foi astuto. Durante anos, a narrativa de que os ricos são os vilões da sociedade foi martelada, condicionando o povo a acreditar que sua maior ameaça está no topo da pirâmide econômica.
E aí vem o golpe final: ao anunciar que pessoas com rendimentos acima de R$ 50 mil passarão a pagar uma alíquota mínima de 10%, Haddad induziu a população a pensar que estava sendo defendida. Mas a verdade é que essa medida é simbólica e insuficiente para resolver os problemas estruturais do país. Enquanto isso, o trabalhador, que recebe um salário mínimo de R$ 1.500, mal percebe que seu patrão paga cerca de R$ 4.128 para mantê-lo empregado. E para onde vai a diferença? Para o governo, que agora retira ainda mais de áreas essenciais para manter privilégios e luxos inalterados.
Essa estratégia é, acima de tudo, um desrespeito à inteligência do povo. Não é apenas uma questão de economia; é uma questão de dignidade. O discurso não trouxe soluções reais; trouxe engano, manipulação e um futuro ainda mais difícil para quem já luta para sobreviver.
Em resumo, por trás da aparente defesa dos interesses do povo, o que vimos foi uma jogada política que perpetua desigualdades e sacrifica as necessidades básicas em prol de uma narrativa conveniente. Enquanto o governo pede mais sacrifícios, o trabalhador continua pagando a conta — e ainda é levado a acreditar que isso é para o seu próprio bem.
O corte precisa ser feito – não tem como evitar que muito desse corte impacte prioridades, mas, a forma como ele foi apresentado foi manipulativa e os privilégios não foram cortados. Com relação a valores, Hadad omitiu mas eles foram trazidos à tribuna pelo Deputado Federal Professor Cláudio Branchiere (Podemos), em sua intervenção no dia 28 de novembro de 2024. O que ele apresentou é de arrepiar:
R$ 10,2 bilhões cortados da educação;
R$ 11,9 bilhões retirados do aumento do salário mínimo;
R$ 7 bilhões em cortes nos programas sociais;
Readequação do abono salarial, só a partir de 2027, para esconder o impacto imediato.
O único corte que me pareceu correto foi o de R$ 14,4 bilhões em emendas impositivas. Mas, mesmo assim, Haddad ignorou cortes em gastos de luxo, despesas de viagem e na compra do avião presidencial.
Deixe um comentário