Tenente-Coronel Anacleto França critica foco em entrega midiática de viaturas e defende modernização da segurança pública
“Chega de fazer propaganda com entrega de viaturas. Segurança pública não se resolve com foto, discurso e fita cortada. É hora de novos modelos, novas ideias e soluções reais. O crime evoluiu, nossa resposta também precisa evoluir”
tenente-coronel Anacleto França publicou em suas redes sociais, nesta semana, um posicionamento firme sobre os atuais modelos de gestão da segurança pública no Estado. Em sua declaração, ele afirmou que “chega de fazer propaganda com entrega de viaturas”, destacando que a criminalidade evoluiu e que o poder público precisa acompanhar essa transformação com estratégias mais modernas e efetivas.
Segundo França, cerimônias e fotos de autoridades ao lado de veículos novos “não representam avanço real no combate ao crime”. Ele reforça que a prática de divulgar entregas de viaturas como grandes conquistas pode criar uma falsa sensação de segurança, quando, na visão dele, o problema é muito mais profundo e exige soluções amplas e estruturais.
Crítica fundamentada em desafios atuais
A posição defendida pelo tenente-coronel ganha força diante da complexidade crescente da criminalidade no Brasil. Organizações criminosas têm se profissionalizado, adotando tecnologias, sistemas de comunicação criptografados, rotas sofisticadas e até operações financeiras e digitais difíceis de rastrear. Nesse cenário, França argumenta que investir apenas em frota não produz impacto significativo.
Para ele, segurança pública eficiente depende de inteligência policial, integração entre corporações, monitoramento tecnológico, investigação qualificada e políticas preventivas. “O crime evoluiu, nossa resposta também precisa evoluir”, reiterou.
Viaturas são necessárias, mas não suficientes
Embora reconheça que veículos são importantes para o trabalho diário das equipes, França pontua que viaturas não resolvem a segurança de uma cidade. Ele ressalta que a criminalidade organizada sabe disso e opera justamente em áreas onde a presença física de uma viatura não é suficiente para conter ou desarticular atividades ilícitas.
A crítica se dirige não à aquisição em si, mas ao uso político e midiático dessas entregas, muitas vezes tratadas como solução central — quando, na prática, representam apenas um dos muitos elementos necessários para uma política pública efetiva.
Chamado por inovação e soluções reais
O tenente-coronel defende que é hora de implementar novos modelos de policiamento, ampliar investimentos em tecnologia, fortalecer setores de investigação e inteligência e modernizar a estrutura que dá suporte às forças de segurança. Ele também aponta a necessidade de capacitação contínua e de ações que envolvam desde a prevenção até a repressão qualificada.
Para especialistas da área, o posicionamento de França ecoa uma demanda antiga: a de que segurança pública não pode ser tratada como palco para fotografias, mas como um compromisso técnico e estratégico com resultados concretos.
Com sua publicação, Anacleto França recoloca no debate público a necessidade de repensar prioridades e alinhar as práticas de gestão da segurança aos desafios do crime contemporâneo, reforçando que soluções reais exigem muito mais do que cortar fitas ou distribuir viaturas.

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